Por exemplo, o nosso clube
de ciência, do projeto Ciência Viva na Escola "RoboCiência no AECO",
está empenhado no conhecimento, divulgação e sensibilização da comunidade, para
a proteção da Lampetra auremensis, uma espécie endémica e
única no mundo que se encontra apenas em ribeiras do nosso concelho e
foi avaliada na categoria de Criticamente em Perigo, um risco de
extinção extremamente elevado, segundo os critérios e categorias do Livro Vermelho das Espécies Ameaçadas da UICN, União Internacional para a Conservação
da Natureza.
Tudo começou numa das
nossas saídas de campo à Ribeira de Seiça, onde casualmente nos deparámos com
indivíduos adultos da Lampetra auremensis, cuja identidade
confirmámos com a nossa pesquisa e o apoio do representante da Quercus, o Engenheiro
Domingos Patacho, que nos acompanhou em mais duas saídas de campo, a última das
quais para monitorizar a temperatura, o pH e a quantidade de nitratos e
nitritos no local dos achados e também para a identificação de outros riscos
físicos, químicos e biológicos para a vida ou a reprodução desta espécie.
Apesar da temperatura e parâmetros químicos medidos serem normais, ficámos preocupados pelo facto de, a montante do local dos achados, termos verificado a existência de uma mancha de algum derivado do petróleo (com forte odor) na água e de sacos e garrafas de plástico nas margens, bem como de árvores e ramos caídos sobre a ribeira. Para além destes, visualizámos também um lagostim de rio, que é uma espécie exótica que foi em tempos introduzida pelo homem neste habitat e é um predador da nossa Lampetra.
A Lampetra auremensis foi descoberta na Ribeira de Seiça em 1988 pelo Eng.º Pedro Cortes, mas só em 2013 foi reconhecida como uma nova espécie, a auremensis - um nome que deriva da palavra latina, “Auren”, que significa Ourém -, após um estudo mais aprofundado da sua genética e morfologia, por investigadores da Faculdade de Ciências de Lisboa, da Universidade de Évora e do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, entre os quais a Dra. Catarina S. Mateus (primeiro autor).
Cabe-nos agora como oureenses, habitantes ou visitantes do concelho de Ourém proteger esta espécie tão sensível, que não tem valor comercial, mas é importantíssima para manter a Biodiversidade da qual o equilíbrio dos ecossistemas e a sobrevivência do Homem dependem.
Clube de Ciência - CCVnE RoboCiência no AECO